




Fotografia, cortesia de Beatriz Lacerda.
TOPOGRAFIA DE UM CORPO ESCAVADO
O trabalho aqui presente faz parte do arquivo pessoal de produção artística e é constituído, na sua totalidade, por um conjunto de 33 gravuras feitas com o corpo, a partir das marcas inscritas pelo lençol, na pele.
Um corpo de mulher, é submetido aos constrangimentos do meio, para que se faça imagem/desenho; para que se torne presente; para que se re-presente. Esta prática experimental do desenho, para além de pretender explorar e refletir o corpo em relação com o espaço que comporta a ação desse mesmo corpo que gerará imagem/ desenho; nasce de um desejo maior de pensar as relações de género a partir do corpo e da sua performatividade quotidiana; encontrando na gravura o desígnio para pensar criticamente a sociedade patriarcal e seus discursos reprodutores de desigualdades de existência, de viver e de agir.
Assim esta obra acontece em dois momentos distintos. Um primeiro onde foram coletadas as 33 gravuras e um segundo momento, onde tais gravuras foram devolvidas ao objecto que marcou o corpo. Este gesto de devolução das marcas ao objecto que marcou esse corpo, prende-se com a natureza utopista desta obra, que pretende ser um grito de alerta e um convite à reflexão coletiva da forma como a atual sociedade tem escolhido tratar todas e todos aqueles que não se encaixam dentro dos arquétipos hegemónicos de género, raça e classe.
+
Projecto criado entre 2019-2020.
Presente na exposição coletiva do encontro 'A Festival - Quando o feminismo bate o pé o mundo treme!'; na Galeria Geraldes da Silva, 2023 | Porto.
FICHA TÉCNICA:
Objecto-Arte (lençol): 260x175 cm
Carimbos corporeos: Dimensões variáveis
Nota: 'CORPO-GAEA' desagua diretamente deste primeiro projecto.