
Carta reescrita recorrendo a um pico de agulha.

Carta reescrita recorrendo a uma caneta com ponta cega.

FOTO DO PROCESSO
BREVEMENTE COLOCADA
Através da mimésis do gesto tenta-se reescrever um texto que se desconhece.
CARTAS DE AMORES MORTOS OU
VÁRIAS FORMAS DE NÃO SE NASCER
Contrariamente ao que costumo fazer é este um trabalho mais auto biográfico, mas do lado de fora da equação. Durante os primeiros tempos da pandemia Covid 19, onde tudo era um grande nevoeiro de incertezas e a morte assombrava, como escape resolvi desafiar a minha mãe a fazer uma arrumação profunda nos armários da casa. No meio desse processo uma antiga caixa da minha mãe que continha algumas cartas de ex enamorados e namorados da sua juventude, apareceu. Na altura uma ideia me ocorreu; com tantos pretendentes eu poderia não estar aqui hoje, a viver esta pandemia, o que na altura me suou a alívio. Assim, como forma de ensaiar um possível não nascimento, algumas dessas cartas foram rescritas de modo a ocultar o conteúdo do texto e desta forma existir, sem existir.